O Velho SenadoÚltimo parágrafo – Final de sessão; os senadores se indo, um a um.
"E após ele vieram outros, e ainda outros, Sapucaí, Maranguape, Itaúna, e outros mais, até que se confundiram todos e desapareceu tudo, cousas e pessoas, como sucede às visões. Pareceu-me vê-los enfiar por um corredor escuro, cuja porta era fechada por um homem de capa preta, meias de seda preta, calções pretos e sapatos de fivela. Este era nada menos que o próprio porteiro do Senado, vestido segundo as praxes do tempo, nos dias de abertura e encerramento da assembléia geral. Quanta coisa obsoleta! Alguém ainda quis obstar à ação do porteiro, mas tinha o gesto tão cansado e vagaroso que não alcançou nada: aquele deu volta à chave, envolveu-se na capa, saiu por uma das janelas e esvaiu-se no ar, a caminho de algum cemitério, provavelmente. Se valesse a pena saber o nome do cemitério, iria eu catá-lo, mas não vale;todos os cemitérios se parecem."

5 comentários:
"Todos os cemitérios se parecem." Bizarros!
A charge do bruxo de Cosme Velho está ótima, com destaque para os olhos e para a barba que pareceu-me feita a crochê...
Aos vinte anos, recém feito repórter de Jornal, fez uma obra prima sobre este castelo mal assombrado de todos os tempos.
Parabéns pela caricatura e, como de resto, pela ilustração.
Muito bom este PICINEZ.
E olha que a qualidade do Senado, nessa época, era de primeiríssima qualidade, perto dos Mão Santas da vida dos dias de hoje, de Brasília.
Bom blog.
Sucesso!
Legal ver esse blog. Diferente de todos que falam de literatura. O que não muda mesmo são essas carniças de Brasília. Não sei nem se votarei ano que vem, apesar de que será a minha primeira vez (votando rsrsrs). Veremos.
eu Blog é maravilhoso. Parabéns.
Já assinei (rs)
Um braço, do Euclidiano Raphael.
rafacassio@globo.com
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